Grandes Fotógrafos: Sebastião Salgado

 

Dando continuidade à série “Grandes Fotógrafos”, vamos falar agora de Sebastião Salgado, fotógrafo e economista brasileiro, engajado nas causas sociais e ambientais e documentarista da face mais triste da sociedade mundial. Autor do Projeto Gênesis, Outras Américas e protagonista do documentário O Sal da Terra.

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Sebastião Salgado

 

Biografia

Sebastião Salgado nasceu na pequena vila de Conceição do Capim, localizada no município de Aimorés, Minas Gerais, em 1944. Após passar toda sua infância em Aimorés, Salgado se mudou para Vitória, onde se formou em economia na Universidade Federal do Espírito Santo. Se formou 1967 e começou uma pós-graduação em São Paulo, onde conheceu a pianista Lélia Wanick, com quem se casou. Na mesma época, o casal fez parte de movimentos de esquerda e lutou contra a ditadura militar. Em 1969 se exilaram em Paris e, em seguida, foram para Londres.

Em Londres, como economista, Salgado fazia muitas viagens a trabalho. Algumas delas foram à África. Foi lá, com a Leica de sua esposa, que ele começou a fotografar e se apaixonar pelo ofício. Ainda no início da década de 70, ele voltou à Paris e começou sua carreira como fotojornalista.

inspiração fotográfica

Nessa nova área, passou pelas agências Sygma, Gamma e Magnum (aquela mesma, fundada por Henri Cartier-Bresson). Foi pela última que ele conquistou fama e dinheiro. O fotógrafo foi selecionado para fazer uma série de fotos sobre os 100 primeiros dias de governo do então presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, em 1979. Durante esse trabalho, Salgado testemunhou o atentado a tiros cometido em Washington contra o presidente e o documentou. Reagan sobreviveu e as fotos circularam o mundo.

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Minas de ouro da Serra Pelada

 

A Fotografia Social

Com dinheiro para investir nos próprios projetos, Sebastião Salgado começou a fotografar a pobreza pelo mundo. Em 1986, lançou seu primeiro livro, chamado ‘Outras Américas’. Nele, retratou a pobreza da América Latina. Ainda no mesmo ano, publicou ‘Sahel: O Homem em Pânico’, seu segundo livro, no qual cobriu a seca no Norte da África por um ano, em conjunto com os Médicos sem Fronteiras. Em 1992 foi a vez de ‘Trabalhadores Rurais’, originado de seis anos de documentações por todo o mundo. Seu projeto seguinte foram ‘Exôdos’ e ‘Retratos de Crianças do Êxodo’, lançados no ano 2000, sobre refugiados de 40 países do mundo, tema que voltou a ser discutido recentemente devido às migrações dos países em guerra.

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Projeto Outras Américas, que registra os povos indígenas da América Latina

“Você não fotografa com sua máquina. Você fotografa com toda sua cultura.” — Sebastião Salgado

Apoiador de diversas organizações humanitárias, o fotógrafo fez uma exposição no escritório da ONU, com apoio da UNICEF, com algumas fotos de crianças refugiadas. Salgado doou diversas fotos suas para campanhas humanitárias. Também participou de um projeto da UNICEF em conjunto com a OMS, em que fotografou para uma campanha de erradicação da poliomielite.

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O documentário O Sal da Terra (2014) é focado na vida e obra de Sebastião Salgado

 

Técnica

Sebastião Salgado tem como clara influencia Henri Cartier-Bresson, e preza pela dedicação ao momento da captura das imagens. Assim como o francês, toda a obra de Salgado é em preto e branco. No caso deste, a ausência de cores intensifica o drama presente em muitas de suas fotos, que mostram a dura realidade da miséria, da fome, da guerra, e de todo tipo de injustiça social.

De 2004 a 2012, o fotógrafo trabalhou no Projeto Gênesis. Esta série de fotos o levou a mais de 30 países, documentando paisagens incríveis, animais exóticos e, é claro, seres humanos de povos e tribos pouco conhecidas.

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Projeto Gênesis

Durante “Gênesis”, minha câmera permitiu que a natureza falasse comigo. E foi meu privilégio escutar.

— Sebastião Salgado

Suas fotos geraram alguma polêmica, já que alguns críticos consideram que Salgado aplica muita estética na realidade social e acaba ‘despolitizando’ suas fotos, tornando a terrível realidade por ele retratada em uma bela foto. Outros críticos tem uma visão diferente, como o filósofo, jornalista e escritor francês Régis Debray, que disse que o fotógrafo brasileiro “transforma ‘eles’ em ‘nós’”.

projeto gênesis

O próprio fotógrafo já sofreu com isso. Em palestra para a ONG TED, relatou o seu descontentamento com o desvio de finalidade tomado por sua obra

Nos anos 90, fotografei uma história chamada Migrações. Tornou-se um livro, tornou-se um show. Tomei a decisão de parar. Estava realmente transtornado com a fotografia, com tudo no mundo, e tomei a decisão de voltar para onde nasci.

grandes fotógrafos

Mas a verdade é que, mesmo com uma grande qualidade estética em suas fotos, elas são pesadas, difíceis de encarar e digerir, e mostram a realidade na sua totalidade, sem esconder ou maquiar seus objetos. Sua intenção é causar um choque de realidade no espectador, como ele mesmo já disse, “Espero que a pessoa que entre nas minhas exposições não seja a mesma ao sair”. E é realmente muito difícil não se comover após ter contato com suas fotografias.

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