Grandes Fotógrafos: Henri Cartier-Bresson

 

O Fotografia Profissional começa agora uma série sobre grandes fotógrafos da história. E para estreá-la, escolhemos o francês Henri Cartier-Bresson, considerado um dos principais fotógrafos da história, pai do fotojornalismo, das fotos espontâneas e popularizador do filme 35 mm.

Pássaros Numa Escadaria - Henri Cartier-Bresson

Pássaros Numa Escadaria – Henri Cartier-Bresson

“Fotografar, é colocar na mesma linha, a cabeça, o olho e o coração.”

Biografia

Henri Cartier-Bresson nasceu em 22 de agosto de 1908 em Chanteloup-en-Brie, a 35 km do centro de Paris. Filho mais velho de uma família abastada, ainda enquanto criança ganhou sua primeira câmera fotográfica, a popular Kodak Brownie. Aos 19 anos foi a Paris estudar em uma academia de pintura. Nesta mesma época, ele recebeu grandes influências do movimento surrealista, que perduraram na carreira de fotógrafo que escolheria mais tarde.

Em 1928, estudou artes, literatura e inglês na Universidade de Cambridge, e em 1930 foi convocado para o exército de seu país natal. Nessa mesma época, voltou a ter maior contato com a fotografia quando ganhou uma câmera de um amigo americano. Ao fim do período de conscrito, Cartier-Bresson resolveu se aventurar na Costa do Marfim, onde viveu como caçador por um ano, até ser acometido por uma grave doença, que quase o levou a óbito.

Em Marselha, cidade onde se recuperou, ampliou seu contato com o surrealismo. Foi lá, após a recuperação, onde conheceu a foto “Três Garotos no Lago Tanganyika”, do húngaro Martin Munkacsi, que foi a grande inspiração para sua obra como fotógrafo. Nesse momento, o francês largou a pintura e passou a se dedicar seriamente à fotografia.

Três Garotos no Lago Tanganyika - Martin Munkacsi, 1929

Três Garotos no Lago Tanganyika – Martin Munkacsi, 1929

“Ao observar a imagem de Munkacsi, eu percebi que a fotografia poderia fixar toda a eternidade dentro de um instante”  — Henri Cartier-Bresson

Começo da carreira

Ele comprou sua primeira Leica 35 mm, e uma lente 50 mm. Como a câmera era pequena e discreta, era possível capturar as imagens sem ser notado, e, dessa forma, não influenciar na reação do ambiente (em especial das pessoas) durante suas capturas. Para conseguir mais discrição ainda, Cartier-Bresson pintou todas as partes brilhantes do corpo cromado da sua Leica de preto. Empolgado, viajou por diversas grandes cidades da Europa para fotografar. Nessa época começou a se consagrar como grande fotógrafo de rua.

Sua estreia como fotojornalista foi em 1937, na cobertura da coroação do Rei George VI e da Rainha Elizabeth para um periódico francês. Curiosamente, ele não tirou nenhuma foto do rei ou da rainha e teve como foco a plateia nas ruas de Londres.

Em 1939, com o início da Segunda Guerra Mundial, se alistou no exército francês e participou da Unidade de Fotografia e Filmagem. Acabou capturado pelos nazistas e passou três anos em um campo de trabalhos forçados. Após duas tentativas falhas, finalmente conseguiu fugir. As marcas desse período perduraram toda sua vida através de sua timidez e da extrema reserva em sua vida particular.

Madrid, 1933

Madrid, 1933

Magnum Photos

Já em 1947, publicou seu primeiro livro e fundou a Agência de Fotografias Magnum e nos anos seguintes concretizou seu sucesso internacional no oriente ao cobrir o funeral de Ghandi e a última fase da Guerra Civil na China. Em 1955, publicou o que se tornaria seu livro mais famoso, “O Momento Decisivo”, com fotos tiradas tanto no ocidente como no oriente. A arte da capa foi desenhada na época pelo pintor Henri Matisse.

Em 1966, Cartier-Bresson largou a agência Magnum e começou a se dedicar a retratos e paisagens. Dois anos depois, começou a se afastar de sua profissão e se dedicar à pintura. No início dos anos 70, abandonou de vez a fotografia. Faleceu em 2004, aos 95 anos.

Henri Cartier-Bresson

Henri Cartier-Bresson

Técnica

Quase em todos os momentos, Henri Cartier-Bresson fotografou com a sua Leica 35 mm, e na maioria das vezes utilizou uma lente normal (exceto quando fotografava paisagens e usava uma grande-angular). Como já citado, ele “camuflava” sua câmera, originalmente cromada, com pintura preta e fita isolante, para torna-la mais discreta.

Com a finalidade de se manter discreto e garantir a pureza nas imagens, Bresson nunca utilizava o flash e era contra a edição de fotos. A composição das suas capturas era feita no viewfinder, e não na sala escura. Por isso, quase todas as suas obras foram impressas em full-frame, sem nenhum recorte ou manipulação. Para comprovar isso, ele incluía alguns milímetros de negativo não exposto ao redor das fotos. Suas imagens eram sempre em preto e branco.

Cartier-Bresson não tinha muito interesse pelo processo fotográfico como um todo (como edição e impressão). Seu foco estava sempre no momento da captura. Também não era aficionado pela técnica, a qual considerava muitas vezes como um elemento que tirava a humanidade da fotografia, quando se tornava uma obsessão.

Henri Cartier-Bresson, Marseille, 1932

Marseille. 1932.

A técnica só é importante na medida em que você deve dominá-la com a finalidade de comunicar o que você vê.(…) As pessoas se preocupam muito com a técnica e pouco com o ato de ‘ver’ — Henri Cartier-Bresson, “O Momento Decisivo

Patinhos Na Lagoa

Uma curiosidade sobre Henri Cartier-Bresson era sua superstição na hora de utilizar novas lentes. Antes de coloca-las em “serviço”, o fotógrafo visitava as lagoas nos parques da cidade onde se encontrava para tirar fotos de patos. Ele nunca publicou nenhuma dessas fotos, mas as assumiu como sua única superstição em uma entrevista nos anos 60.

Valencia, 1933

Valencia, 1933

“Na fotografia, a menor coisa pode ser um grande assunto. O menor detalhe humano pode se tornar um leitmotiv.”

The Var department. Hyères. 1932

The Var department. Hyères. 1932

 

Último comentário
  • It is not a Bresson !!!!!

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